A epilepsia é uma condição clinica na qual ocorre uma descarga elétrica anormal no cérebro que se alastra por todo ele . como se você jogasse uma pedra em um lago de água parada , ou seja , do ponto em que a pedra caiu alastram-se ondas que se espalham podo todo lago ou parte dele. Essa corrente elétrica perturba o funcionamento das estruturas cerebrais e conforme a área perturbada será a apresentação clínica que varia , desde movimentos automáticos de um braço , ausências que podem ser simples (ex. sensações desagradáveis) ou complexas , a pessoa aparenta estar confusa e pode caminhar sem rumo, falar sem coerência, salivar em excesso, morder a língua e realizar automatismos, como puxar a roupa ou virar a cabeça de um lado para outro repetidas vezes até perda da consciência com queda e movimentos musculares desordenados com salivação e queda de língua , insuficiência respiratória e morte por asfixia .
Ela ocorre em 1 a 2% da população , ou seja em uma cidade de 40000 habitantes teremos 400 a 800 epilépticos . Em nossa clínica temos registrados 245 casos com idade que varia de 10 a 86 anos (média de 44 anos) correspondendo a 1,13 % diagnósticos efetuados .
A epilepsia , que tem tendência genética , pode ocorrer sem causa definida (idiopática) ou ser secundária a lesões estruturais cerebrais que vão desde , a falta de oxigênio ao cérebro ao nascer , passando por traumatismo cerebrais , neurocisticercose (pipoca da carne de porco – comum em nossa região) até seqüelas de acidentes vasculares cerebrais , aneurismas e indo até tumores cerebrais .
As crises podem ocorrer espontaneamente ou serem desencadeadas em certos casos por luzes que piscam , privação do sono , álcool , jejum , porém a causa mais freqüente da crise é a interrupção ou esquecimento da dose da medicação .
O diagnóstico é essencialmente clínico e o eletroencefalograma pode reforçar este diagnóstico ou indicar a necessidade de exames diagnósticos especiais ; a tomografia cerebral ou a ressonância , devem ser utilizadas para investigar a causa da epilepsia
O tratamento pode ser feito pelo médico que esteja perto do paciente seja clínico ou pediatra e este solicitará ajuda de um especialista nos 20% dos casos que são refratários que poderão necessitar centros de referência nacionais .
Este é medicamentoso , sendo que cerca de 50% terão seus ataques totalmente controlados, 30% terão seus ataques reduzidos em freqüência e intensidade a ponto de poderem levar vidas normais, e os outros 20% ou serão resistentes à medicação, ou precisarão de uma dose tão alta de remédio que será melhor aceitar um controle parcial das crises . Mas as pesquisas nessa área são constantes e novas drogas têm chegado ao mercado. Atualmente, as substâncias mais usadas para tratar a epilepsia são: carbamazepina, clobazam, clonazepam, etosuximida, fenitoína, fenobarbital, primidona e valproato de sódio (ácido valpróico). Medicamentos mais novos incluem a lamotrigina, a oxcarbazepina, o topiramato e a vigabatrina Às vezes, é necessário experimentar mais de um medicamento para obter o efeito desejado, ou mesmo combinar mais de uma medicação. Uma dieta rica em lipídios e calorias, a dieta cetogênica, tem sido utilizada em especial nas crianças, mas deve ser muito bem acompanhada pelo médico e estritamente seguida. O metabolismo criado pela preparação cuidadosa dessa dieta pode aumentar o limiar convulsivo em alguns indivíduos.
A cirurgia torna-se uma solução quando a medicação falha e quando apenas uma parte do cérebro é afetada, de forma que ela possa ser removida com a segurança de não causar prejuízo à personalidade ou a outras funções. Paralelamente ao tratamento médico, uma vida saudável tem efeitos benéficos sobre a epilepsia. Isso inclui dieta balanceada, exercícios, descanso, redução de stress e de depressão e a não utilização de álcool e drogas .
Como proceder caso você presencie a forma mais perigosa da epilepsia que é a conhecida crise tônico – clônica generalizada :
No primeiro momento da crise de um portador da síndrome de epilepsia, todos os seus músculos se contraem, ele cai, não consegue respirar nem engolir a saliva.
- A língua, sendo um músculo, também fica rija e se contrai, mas não há risco de o paciente engoli-la; por isso, não devemos introduzir o dedo ou qualquer objeto em sua boca.
- No segundo momento, o paciente se debate e, faltando o ar, seu abdômen força a respiração, como uma bomba; por isso, a saliva começa a espumar. Não devemos passar álcool ou outra substância em seu corpo.
Na verdade, o que se faz é muito pouco:
- Não introduza nada em sua boca. Não prenda sua língua com colher ou outro objeto semelhante (não existe perigo algum do paciente engolir a língua). Não tente fazê-lo voltar a si lançando-lhe água ou obrigando-o a tomá-la. Não o agarre na tentativa de mantê-lo quieto.
- Remova da área objetos perigosos com os quais a pessoa eventualmente possa se ferir. Caso o paciente esteja usando gravata, afrouxe-a. Faça o mesmo com o colarinho da camisa. Deixe seu pescoço livre de qualquer coisa que o incomode
- Apóia-se a cabeça do paciente para que não se machuque
- Vira-se seu rosto de lado , ou a pessoa de lado , para que não aspire a saliva e só após isso se deve pensar em remover o paciente
- Espera-se o fim da crise, que dura entre 1 e 2 minutos.
Nas raras vezes em que a crise é mais prolongada – cinco minutos, por exemplo –, o paciente pode estar evoluindo para o estado de mal epiléptico, devendo ser transportado até o pronto-socorro sempre em decúbito lateral onde será feito o tratamento adequado .