I
Casarão: Quantas histórias guardas?
Amores, paixões, labores, choros e risos,
Folguedos de infância, segredos eternos,
Saudades, sonhos, sentidos, sentimentos...
II
Guardas orações, bênçãos de mãos juntas,
Ave-Marias, Pai-Nossos,
Salve Rainhas e Imagens Sagradas!
Guardas lembranças de amor
De amigos e serviçais. Elos com as criaturas!
Lembranças de dores de parto,
Dores de partidas, desencontros.
Felicidade e encontros!
III
Escrivaninhas, papéis amarelados,
Gavetas plenas de símbolos e lembranças
Estantes de livros, obras raras,
Documentos, tinteiros, canetas de pena, prancheta,
Lacrador de envelope, máquinas antigas, cofre, telefone,
Retratos, raros papéis e guardados.
IV
Bolas de marfim na espaçosa mesa.
Lazer entre amigos,
Poltronas requintadas.
V
Um tripé de alumínios brilhantes
Guarda os sabores perfeitos de outrora.
Na pia branca e seus brancos azulejos
Lavava-se frutos frescos colhidos.
Canta uma torneira a música do tempo,
Cristalina água potável brindava os dias!
O fogão à lenha, chama luminosa!
Quanto aqueceu em seus dias?
E, ainda, aquece as lembranças...
Chama de luz fervorosa!
Lampiões brilham nos armários
Enfileirados e encantando,
São peças que iluminaram o passado
E cintilam no presente.
Vidros guardavam doces saborosos.
O café moído, aroma perfeito.
Queijos, salames, toicinhos...
Sabores pra se guardar!
Descascador de laranja,
Ralador de coco,
Matador de moscas de vidro
Peças lembram o tempo.
VI
As escadarias levam ao Sótão do Casarão;
Berço de bebê de Sofia,
Prateleiras e livros, malas de viagem.
Paredes fartas de certificados
Outros feitos e fatos registrados.
VII
Móveis guardam louças, cristais ingleses,
Pratarias, símbolos da suntuosidade!
Música ao som do gramofone;
Sublime momento!
VIII
Tapeçarias, fotografias, pinturas,
Desenhos, escritos,
imortalizaram o Casarão e as criaturas!
XIX
Altar e imagens, santos benditos
Devoção diária de Sofia na despedida do dia
E as janelas eram fechadas
Abrias-se as cortinas!
X
Coronel Joaquim Domit, imigrante libanês,
E Sofia Domit construíram o Casarão:
(Vallões, hoje Irineópolis – Santa Catarina)
Paredes duplas, portas gigantescas, janelas de duas folhas,
Cômodos mobiliados e espelhados.
Beleza e criação!
Externamente uma imagem bucólica,
Ovelhas na pastagem, nogueiras,
Curucacas cantantes, pássaros passageiros
Água do lago, paz, silêncio...
A história recomeça no Casarão preservado.