Letras e Artes

Casarão Domit

31/12/09

I

Casarão: Quantas histórias guardas?
Amores, paixões, labores, choros e risos,
Folguedos de infância, segredos eternos,
Saudades, sonhos, sentidos, sentimentos...

II

Guardas orações, bênçãos de mãos juntas,
Ave-Marias, Pai-Nossos,
Salve Rainhas e Imagens Sagradas!

Guardas lembranças de amor
De amigos e serviçais. Elos com as criaturas!
Lembranças de dores de parto,
 Dores de partidas, desencontros. 
Felicidade e encontros!
 
III

Escrivaninhas, papéis amarelados,
Gavetas plenas de símbolos e lembranças
Estantes de livros, obras raras,
Documentos, tinteiros, canetas de pena, prancheta,
 Lacrador de envelope, máquinas antigas, cofre, telefone,
Retratos, raros papéis e guardados.

IV

Bolas de marfim na espaçosa mesa.
Lazer entre amigos,
Poltronas requintadas.

V

Um tripé de alumínios brilhantes
Guarda os sabores perfeitos de outrora.

Na pia branca e seus brancos azulejos
Lavava-se frutos frescos colhidos.
Canta uma torneira a música do tempo,
Cristalina água potável brindava os dias!

O fogão à lenha, chama luminosa!
Quanto aqueceu em seus dias?
E, ainda, aquece as lembranças...
Chama de luz fervorosa!

Lampiões brilham nos armários
Enfileirados e encantando,
São peças que iluminaram o passado
E cintilam no presente.

                            Vidros guardavam doces saborosos.
O café moído, aroma perfeito.
 Queijos, salames, toicinhos...
Sabores pra se guardar!
                                                    
Descascador de laranja,
Ralador de coco,
Matador de moscas de vidro
Peças lembram o tempo.

 
VI


As escadarias levam ao Sótão do Casarão;
   Berço de bebê de Sofia,
                 Prateleiras e livros, malas de viagem.
Paredes fartas de certificados
Outros feitos e fatos registrados.


VII

 Móveis guardam louças, cristais ingleses,
Pratarias, símbolos da suntuosidade!
Música ao som do gramofone;
Sublime momento!  


VIII

Tapeçarias, fotografias, pinturas,
Desenhos, escritos,
imortalizaram o Casarão e as criaturas!


XIX

Altar e imagens, santos benditos
Devoção diária de Sofia na despedida do dia
E as janelas eram fechadas
Abrias-se as cortinas!


X

Coronel Joaquim Domit, imigrante libanês,
E Sofia Domit  construíram o Casarão: 
(Vallões, hoje Irineópolis – Santa Catarina)
Paredes duplas, portas gigantescas, janelas de duas folhas,
Cômodos mobiliados e espelhados.
Beleza e criação!

Externamente uma imagem bucólica,
Ovelhas na pastagem, nogueiras,
Curucacas cantantes, pássaros passageiros
Água do lago, paz, silêncio...
A história recomeça no Casarão preservado.

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