Relações Internacionais

O Brasil na África

05/07/10

             A se pensar pelo título, o presente artigo pode levar o leitor mais desavisado a crer ser este mais um ensaio sobre a flutuante participação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Contudo, apesar do apelo que é peculiar ao futebol ser muito maior, a presença brasileira no continente africano é mais abrangente que isso.

Muitas são as críticas feitas ao modelo de parceria adotado pelo Brasil, nos últimos anos, em relação aos países africanos. O discurso de que muitos recursos utilizados para “ajudar” a salvar da miséria pessoas de outras partes do mundo poderiam estar sendo destinados ao nosso povo é recorrente. Não cabe aqui desvalorizar a necessidade do incremento de programas de investimento público em prol da população brasileira em vários campos e em todas as regiões do país. Tampouco valorar ou apontar discrepâncias e injustiças sociais causadas por eventuais desvios de tais recursos.

No entanto, diferentemente de ser um mero assistencialismo, as parcerias e investimentos instituídos nos acordos entre o Brasil e o continente africano, no contexto da globalização visam, sobretudo, à luta contra a pobreza, a desigualdade e a exclusão, ao desenvolvimento sustentável e ao estreitamento das relações políticas e econômicas como dimensão prioritária da cooperação. Tal aproximação está previsto inclusive na Constituição Federal e na nossa Política de Defesa Nacional, documento aprovado pelo Decreto Presidencial nº 5.484, de 30 de junho de 2005, e que traça as diretrizes e objetivos necessários para o Estado brasileiro atingir um patamar de influência no cenário regional, colocando tais países como parte das nossas “fronteiras” no Atlântico Sul.

A nova ordem econômica mundial, inaugurada com o fim da Guerra Fria, trouxe consigo a necessidade de se intensificar as chamadas relações Sul-Sul, ou seja, as parcerias entre países emergentes tornaram-se cada vez mais vitais para suas economias. Característica principal da teoria das relações internacionais conhecida como interdependência. E é nesse contexto que inserem-se nossas participações em missões de paz da Organização das Nações Unidas, em parcerias nos investimentos de cooperação no ensino básico de alguns países africanos, além de incentivo ao intercâmbio de estudantes universitários daquele continente em instituições de ensino superior e de pós-graduação brasileiras, disponibilizando também nossa experiência na estruturação de programas sociais e de atendimento à saúde, para a melhoria das condições de vida e combate à pobreza em diversos países da África.

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